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Leia a entrevista :: GIS na Educação com Gabriela Ippoliti

20/11/2012


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Gabriela Ippoliti
é Líder de Educação na Imagem. Possui 18 anos de experiência na área de GIS, já tendo atuado por mais de 11 anos em projetos de GIS na Imagem. É Mestre em Sensoriamento Remoto pelo INPE e Doutora em Solos pela UFV. Ela conversou com a equipe de Comunicação da Imagem sobre o GIS Day 2012, os desafios e as oportunidades que o GIS proporciona às instituições de ensino e aos educadores.

Sobre o GIS Day
 
O GIS Day é uma iniciativa da National Geographic Society, realizada mundialmente com o objetivo de destacar a importância da Geografia para a sociedade, promovendo o aprofundamento desta disciplina nas escolas, nas comunidades e nas organizações. Oficialmente, o evento é comemorado na terceira quarta-feira do mês de novembro. O GIS Day possibilita a troca de experiências e divulga os benefícios de tecnologias baseadas em Sistemas de Informações Geográficas (GIS, da sigla em inglês Geographic Information Systems) com colegas e membros da comunidade, como forma de incentivar o uso de GIS em organizações públicas e privadas, instituições de ensino e de pesquisa, assim como a comunidade em geral. Saiba mais sobre o GIS Day


Comunicação Imagem: Qual é o significado do GIS Day para nós, brasileiros?
Gabriela: O GIS Day é um dia muito especial, é um dia de reunião da nossa comunidade, daqueles que temos em comum a paixão pelo GIS e pela Geografia. O GIS Day é um dia para compartilhar, um dia para crescermos e nos fortalecermos uns com os outros entorno do nosso engajamento particular com o GIS e com a Geografia. O GIS Day é um dia para “celebrar GIS” e “celebrarmos Geografia”, porque a Geografia é muito significativa e ainda mais significativa em um país com tão vasta extensão territorial e de recursos como o nosso, aonde a dimensão espacial permeia as tomadas de decisões em todos os níveis. Vários eventos que celebram este dia acontecem em todo o Brasil, em instituições públicas e privadas dos mais diversos segmentos do mercado.
 
Comunicação Imagem: Porque o conhecimento geográfico é tão significativo?
Gabriela: O conhecimento geográfico está totalmente entrelaçado com o passado, presente e futuro do homem. Desde muito cedo, o homem utilizou abstrações da Geografia documentadas em cavernas e rochas; esses primeiros mapas documentavam e comunicavam o conhecimento geográfico que os nossos antecessores precisavam para realizar escolhas críticas e para sobreviver. Imaginamos que algumas perguntas tais como “Aonde fica a água e como chegar lá?” ou “Qual a região de caça e como chegar lá?”, eram respondidas pelos nossos antepassados com base no conhecimento das circunstâncias geográficas. Hoje, em um Brasil de uma complexidade muito maior, cidadãos, profissionais, organizações e a sociedade como um todo se apoiam no conhecimento geográfico como pilar fundamental para a sua tomada de decisões estratégicas e do dia-a-dia. A Inteligência Geográfica, definida como a capacidade de otimizar a resolução de problemas por meio da dimensão geográfica, permeia todas as esferas modernas de tomadas de decisão.
 
Comunicação Imagem: Como os Sistemas de Informações Geográficas começaram a ser aplicados?
Gabriela: Na década dos 60´s, o mundo tinha ficado significativamente mais complexo que o dos nossos antepassados e os computadores tinham surgido para nos ajudar a resolver problemas também cada vez mais complexos. Nos anos 60 também começaram a serem utilizadas as ferramentas matemáticas para análise espacial, assim como surgiu uma consciência ambiental mais forte nos Estados Unidos, e, parecia uma boa opção, uma opção natural, aplicar os poderes dos novos recursos de computação para os sérios problemas ambientais que estavam sendo observados no território. Então, dentro desse contexto recente, nasceu o GIS. Em 1967, Roger Tomlinson concebeu o primeiro GIS computadorizado para realizar o levantamento de terras do Canadá, inicialmente com funções de visualização e armazenamento da informação geográfica. Podemos disser que a partir desse momento, a geografia computacional mudou para sempre a forma em que vemos a geografia e o espaço, permitindo examinar o conhecimento geográfico em formas que não seria possível realizar antes!
 
Comunicação Imagem: Como você define os principais avanços recentes do GIS?
Gabriela: Desde a sua concepção inicial, mais simplista e voltada para a construção e visualização de mapas, o GIS tem incorporado uma crescente variedade de funções que facilitam o entendimento do mundo; em especial, mecanismos sofisticados para manipulação e análise espacial de dados. Nos nossos dias, as funções tem se expandido ainda mais, permitindo a interação direta da comunidade entorno da circunstância geográfica, permitindo colaboração e interação com a Geografia. Por meio do conceito de sistema hospedado na Web ou sistema baseado na nuvem, com mapas e apps prontas para serem usadas, o GIS está se expandindo rapidamente para uma visão de uso “em todos os lugares”, “em qualquer momento” e “por todas as pessoas” (em inglês: anytime, anywhere, anyone). A tecnologia está possibilitando esta mudança. O GIS em si mesmo está ficando mais poderoso, mais fácil de ser usado e totalmente alinhando com tendências tais como a disponibilidade de dados em grandes quantidades e novas plataformas computacionais: Cloud, SaaS, devices que conectados na nuvem representam um novo meio para o GIS. E todas estas tendências, amalgamadas pela ciência, nos habilitam a reimaginar o mundo com Inteligência Geográfica.
 
Comunicação Imagem: Como os Sistemas de Informações Geográficas têm se expandido em termos de usuários no Brasil?
Gabriela: Há aproximadamente 20 anos, quando comecei a minha carreira, o GIS estava dedicado quase que exclusivamente ao mundo da pesquisa, dentro da academia. A partir dali, vimos o GIS se expandir para o mundo dos profissionais especializados em GIS nas organizações públicas e privadas, e recentemente – nos últimos 10 anos – o processo foi de expansão dos benefícios do GIS para áreas e profissionais não especializados em GIS, mas que fazem uso e tomam decisões diariamente usando o conceito espacial como base. Estamos neste exato momento em um novo patamar de expansão – agora exponencial – do GIS em termos de usuários: a Web e o conceito de GIS na nuvem estão possibilitando o acesso da sociedade como um todo aos recursos de informação e tecnologia para consulta, análise e ação sobre o território.
 
Comunicação Imagem: Como a Esri e Imagem estão engajadas neste movimento de expansão do GIS?
Gabriela: A plataforma tecnológica Esri – o Sistema de Informações Geográficas ArcGIS – é totalmente convergente com as tendências de expansão de capacidades do GIS, suportando o sucesso dos usuários e das organizações na manipulação de informações geográficas, análise, modelagem de cenários e ação sobre o território. O sistema ArcGIS agrega valor ao negócio das organizações medido, por exemplo, por meio de maior eficiência, diminuição de custos, melhoria na comunicação e proporcionando uma base sólida para as suas tomadas de decisão. Em julho deste ano, a Esri lançou a versão 10.1 do Sistema ArcGIS, sendo um grande marco para tornar a plataforma mais fácil e funcional, além de, pela primeira vez, disponível na nuvem. O Sistema ArcGIS 10.1 foi desenvolvido como um sistema completo com partes em servidor, na nuvem e em desktops totalmente integradas bem como com um conjunto de novas apps e serviços na Web. Como parte do sistema, a Esri ainda disponibiliza um imenso conteúdo geográfico para os usuários. Como distribuidora oficial da Esri no Brasil, a Imagem fornece para seus clientes Soluções de Inteligência Geográfica, aonde o sistema ArcGIS, utilizado diariamente por milhões de pessoas em mais de 300.000 organizações ao redor do mundo, é um componente fundamental.
 
Comunicação Imagem: Como você o futuro do GIS na área de Educação?
Gabriela: O GIS pode ser visto como uma plataforma que colabora diretamente para que os propósitos da área de Educação sejam atingidos: o Ensino, a Pesquisa e a Extensão, retornando impactos positivos para a sociedade e para o mundo. Especificamente aplicado ao ensino, hoje existe o entendimento pelos profissionais de educação que o GIS atua como um catalisador para o pensamento criativo e para as competências que levam o estudante a resolver problemas do mundo real. Quando os estudantes utilizam GIS eles desenvolvem competências de análise e pensamento crítico. Independentemente do campo de atuação, o GIS é a plataforma de aprendizado e de modelagem conceitual. Os nossos estudantes leem bastante, fazem muitas provas, mas eles não trabalham efetivamente na resolução de problemas, o que cria uma lacuna com respeito às competências que o mercado requer. Dessa forma, o GIS ajuda diretamente no preenchimento dessa lacuna. O GIS tem evoluído para se tornar uma ferramenta crucial para a resolução dos problemas de todas as áreas do conhecimento, usando o poder da tecnologia da informação para examinar o conhecimento geográfico em formas que não seria possível realizar a poucos anos atrás. Dessa forma, é uma peça fundamental que facilita a compreensão e agiliza o processo de aprendizado dos estudantes de todas as idades em várias disciplinas, desde a Geografia, Cartografia, até História, Biologia, Matemática e porque não... Dança ou Futebol!
 
Comunicação Imagem: Como é possível aproximar o valor dos mapas e da Geografia às pessoas?
Gabriela: Através de histórias. Os mapas contam histórias. A inteligência geográfica, compartilhada através de mapas e de sistemas de informações geográficas está mudando a forma em que trabalhamos e vivemos. Hoje a Geografia faz parte do dia a dia das pessoas. Temos disponível uma avalanche de informações geográficas somente a uns poucos cliques de nós, imagens de satélites são de uso trivial e as organizações públicas e privadas estão produzindo montanhas de dados e de modelos disponíveis para os cidadãos. A isto podemos somar os dados das mídias sociais e os dados que provêm da multiplicação de sensores móveis. Mas, mais dados não necessariamente significam mais conhecimento. Porém, o GIS permite dar sentido a todos esses dados e tornar essa avalanche de dados em informação útil para a ação; o GIS possibilita que histórias através de mapas sejam contadas.
 
Comunicação Imagem: E, para as organizações, como os mapas e o GIS as auxiliam nas suas tomadas de decisão?
Gabriela: Nas corporações, o GIS permite responder a uma variedade de questões relacionadas com o nosso mundo real em praticamente todas as áreas de conhecimento: Aonde estão os meus clientes potenciais? Quais áreas da cidade são mais vulneráveis a desastres naturais? Aonde deveria ser alocada uma escola? O GIS beneficia as organizações de todos os tamanhos e de todas as indústrias. A Inteligência Geográfica cria valor para o negócio, revela novas oportunidades, sustenta a inovação e melhora as tomadas de decisão, alavancando o resultado das organizações.